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#rolounarede: “vou fugir de casa…”


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EVASÃO

Mais um tema de extrema importância rolounarede esta semana: a questão da evasão, que foi lançada através de uma mensagem da Melissa: “Colegas, Referente a evasão … Qual a melhor (se é que existe) para lidarmos com os adolescentes que evadem constantemente da casa. E alguns ainda ficam aguardando ir bscar de carro, pq de onibus não vem…rs”.

Alice foi a primeira a se aventurar na discussão, colocando a importância de refletir e reconstruir a cada dia nossa práticas: “E, nesta reconstrução diária, nos nortearmos pela qualidade de atenção e cuidados que damos para nossos filhos, é a mesma que daremos em nosso trabalho. Por que nosso trabalho nos acolhimentos é com vidas, podemos mudar uma vida mas também podemos enterrar esta vida. E, nesta construção de qualidade de atendimento, o que vale mais é trabalhar com a verdade, com o olho no olho. Se propormos a construção da qualidade das relações com as crianças e adolescentes nos serviços, baseada no olhar firme e de confiança, na construção da verdade, teremos resultados diferentes. Ninguém fica em um lugar onde não gosta, onde não é olhado com carinho e respeito, onde não se sente “pertencente”, onde não é o seu lugar, a sua casa. Para que as crianças sintam isto, devem ser acolhidas de fato, de corpo e de coração, de atenção, de carinho e respeito. Devem ser ouvidas e sua opinião levada em consideração. As regras devem ser construidas junto, na discussão, na discordância, na mediação, nos argumentos, nos limites, mas oportunizando espaços de opinião e respeito. Construam este espaço e logo verão que eles não mais evadirão para uma rua e um mundo que não os respeita. Minha singela opinião”. 

Em seguida, Mariana comentou que “Aline falou de um ponto bem importante. Fundamental! A relação comprometida, afetiva, de investimento. Mas pela minha experiência muitas coisas estão envolvidas nisso… os testes que os meninos e meninas fazem com educadores, às vezes o receio dos educadores de se envolverem demais… entre outras… Um assunto bem delicado!”.

Neste momento, Melissa explicou mais a fundo as dificuldades que encontra com as evasões na instituição em que ela trabalha: “Confesso que me pego pensando, refletindo, questionando, me incomodando com isto, porque não vejo por enquanto uma forma de reverter este quadro. No que cabe ao interno da casa, qdo eles retornam temos uma conversa, já tentamos punições, como: não usar internet, não ir na fesgta da casa ao lado; ficar no quarto (aí eles quebram tudo); usamos simplesmente o diálogo, o reforço do elogio e incentivo frente as questões positivas. Isto me preocupa, porque agora os outros adolescentes vem nos cobrando quanto as consequências dos atos dos outros. Ou ainda ameaçam de evadir, pq não acontece nada. Comunico sempre imediatamente CT; Delegacia Pessoas Desaparecidas e fórum. Todos parecem se retirarem de cena, e jogam toda responsabilidade para nós”.

Melissa comenta ainda que “a situação tanto processual e emocional dele, eu entendo quase que perfeitamente. Mas fico pensando que até quando temos que aceitar a coersão deles, para mante-los na casa. Pois as coisas funcionam quase assim. Não damos o que querem, não respondemos o que perguntaram na hora ou simplesmente foram contrariados, eles fogem”.

Sabino colocou uma série de questões importantes para lidar com as evasões, todas elas envolvendo o diálogo entre a equipe do abrigo e as crianças e adolescentes, estimulando a reflexão e a construção conjunta das estratégias. Finaliza dizendo que “esta questão pressupõe que o processo de diálogo já esteja “caminhando” no serviço, ou mesmo onde ainda não ocorra, esta deverá ser uma prioridade no planejamento das atividades pela instituição”.

Seguindo a discussão, Mônica compartilha sua ideia de que “muitas vezes a busca pela rua surge a partir da necessidade de reconhecimento: como se esta fosse uma tentativa de escapar ao anonimato, um recurso disponível para escapar deste não-lugar em que a criança ou adolescente se vê dentro da casa. (Um caminho perigoso, pois muitas vezes eles encontram sim um lugar na lógica da rua, e nele se constituem: as “gangs” podem oferecer tal pertencimento)”.

Além disso, discute que “esta “saída” encontrada pelo jovem é uma forma de convocação do outro, que cuida dele, para um papel mais ativo nesta função (a fala do adolescente: “não vou de ônibus”, parece remeter a algo neste sentido) – como podemos dar significados a este ato para que sejam construídas outras formas de comunicação e expressão desta demanda? De que forma corresponder a estes pedidos de visibilidade? Até onde ouvir e desde quando punir?”.

Por fim, Melissa afirma acreditar “que quando trazemos os adolescentes para colocarem suas idéias, questionamentos, incômodos, tristezas e alegrias, fazemos grandes progressos, em favor deles e não só da casa. O que é notório entre eles, é a dificuldade de se expressarem quando alguns educadores estão presentes“. Ainda temos muito a pensar, trocar, progredir…

Obrigada pela oportunidade de nos fazer pensar em rede, Melissa!!


E você, o que acha?

  1. danila disse:

    penso eu que a evasao nao acontece por falta de dialogo ou assembleias, existem casos de crianças e ou adolescentes que tem a necessidade de evasao, ainda sim tendo livre seu direito de ir e vir quando for de seu interesse, porem isso acaba nao sendo o suficiente mesmo nos casos que presenciei o adolescente sempre retorna por sua livre e inspontanea vontade, no momento da evasao é como se fosse um refugio ao resgate de algo que nem eles mesmo sabem.

  2. monicavidiz disse:

    É isso aí, Melissa… Mas os parabéns vão à rede, que se mostra cada dia mais potente! Viva!

  3. Melissa Terron disse:

    Mônica, fico muito feliz em ver que este assunto é tão importante para outros, tanto quanto para mim.
    De fato é algo que temos muito a discutir. Assim como observo o receio de todos, em todas as áreas em expor suas dúvidas, medos, fraquezas, não seria diferente em meio a uma casa de acolhimento, entre todos, crianças, adolescentes e profissionais. Por isso acredito muito que todos nós profissionais temos que ser capacitados, teoricamente e tecnicamente. Mas nunca deixarmos de ser humanamentes apaixonados pelo próximo. Parabéns Monica

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