#RolounaRede


#rolounarede: “posso entrar na internet?”


rolounarede

O ACESSO AO MUNDO DIGITAL

Semana passada, rolou na rede uma conversa sobre a inclusão digital!

A Melissa começou, colocando a questão: “As crianças e adolescentes têm como direito o acesso a internet, bem como os programas de TI. Sabemos que a Inclusão Digital é considerada como democratização das tecnologias, e acho muito interessante e necessário. Mas na casa em que trabalho isso vem trazendo alguns problemas. E pior não entre as crianças e os adolescentes (rs) estes brigam pelo tempo e espaço no PC. Mas sim entre os educadores, pois alguns são totalmente contra e outros super a favor. Qual limite vocês avaliam que deve ser dado para o acesso ao mundo digital. Já desconsiderando os sites pornográficos ou parecidos, que são óbvios demais”.

Este questionamento trouxe vários membros da rede à discussão. Alice sugere que sejam considerados “horários de acesso com tempo determinado, quais as prioridades, quem precisa fazer uma pesquisa, montar um trabalho, escalas e tempo para as horas de lazer e internet, olhar e participar dos sites de lazer deles, não deixá-los sozinhos por muito tempo no computador. As crianças precisam estar preparadas para o mundo e não dentro de uma redoma. Mas creio que o mais importante é construir e pactuar estas regras em assembleias com elas. Dar voz e escuta a elas, mediar e ponderar os exageros e chegar a um regramento que seja bom para todos”.

Soraya reforça a ideia de que “é uma questão de bom senso e limites”, enquanto Carina pondera que o bom senso “além de ser muito variável, fecha a questão que você propôs, acredito no contrário, que ela deva ser aberta”. Cartina questiona o fato de que a principal dificuldade esteja nos educadores: “Acho que é necessário discutir abertamente com eles em reunião ou supervisão: são contra ou a favor, por quê? O que acham que as crianças fazem na internet? E eles, têm acesso, usam, não usam, por quê, para quê? Como eles lidam com as diferenças entre as opiniões pessoais e a visão institucional? O que será que significa essa divisão entre eles? Acho que essa construção conjunta do uso do computador tem que ser feita também com eles, se não o que acaba preponderando são as visões pessoais mesmo”.

Melissa nos conta, então, que “o embate entre os educadores é exatamente este… Não o acesso… Mas sim o que acessar”, citando as redes sociais: “Ao meu ver, podem sim acessar e terem Facebook, porque não acessam na casa, mas acessam na escola ou em outros lugares”.

Alice coloca então alguns questionamentos e um norteador para a elaboração das regras: “Bom senso, o mesmo que usamos para nossos filhos. Aliás, as crianças e adolescentes acolhidos possuem algum direito a mais ou a menos que nossos filhos? Creio ser uma boa questão a ser debatida com os cuidadores. Mas, lembrando que a proibição é a porta aberta para se fazer escondido, também não significa a permissividade total. As redes sociais são parte da vida de todos, por que não para eles?”.

Finalizando o debate, Mariana coloca em evidência um outro lado da questão: “Esta discussão sobre a inclusão digital e acesso às novas tecnologias, me fez pensar também que as novas tecnologias tem como um de seus fins a democratização de informações e conhecimento! Não seria este acesso muitas vezes ameaçador ao controle que se espera ter sobre a educação de crianças e jovens?”.

Mariana apresenta uma nova perspectiva dizendo que “uma das hipóteses discutidas mundialmente é de que as novas gerações dominam essas novas tecnologias com tanta facilidade, que em pouco tempo, sabem mais do que seus professores como navegar, interagir na rede, influenciá-la e aprender com ela! Seria este domínio um dos causadores desta grande resistência e desejo de controle do acesso a internet?”

Além disso, coloca que “de qualquer forma queria acrescentar a esta discussão estes outros aspectos, somando as questões do direito ao acesso, opinião pessoal dos educadores, bom senso ou questões organizacionais. Este tema está perpassando tendências em todo o mundo, mostrando que há uma nova subjetividade se constituindo com a tecnologia, uma nova subjetividade que tenta lidar com efeitos transgeracionais do acesso à informação, às pessoas e ao domínio da tecnologias, mediados por outras instituições que não a família, a escola ou o Estado”.

Melissa conclui que “Portanto tecnologia é bom, desde que entendemos que é para ser usado por nós, e não sermos usados por ela. Como conseguiremos? Não sei. Mas luto contra a coisificação das pessoas e humanização das coisas”.

seguimos!


E você, o que acha?

  1. Propercio Rezende disse:

    Ficou um ótimo texto, sobre um assunto relevante. Além do que jhá foi colocado, acho importante que os dirigentes das instituições de acolhimento busquem conhecimento ou ajuda em relação a softwares que controlam ou registram os acessos. Sei que há uma questão importante da privacidade das crianças e adolescentes e isso deve ser considerado na utilização deste tipo de ferramente. Um abraço! Propercio Rezende

  2. Melissa disse:

    Ótimas colocações, interessante ler nossos comentários desta forma. Acaba que por instigar-nos mais, voltar a retomar essa discussão. Como termina…SEGUIMOS!!!
    Parabéns

Deixe uma resposta para Propercio Rezende Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *