#RolouNaRede: Evasão do serviço de acolhimento
“O adolescente vem evadindo do serviço de acolhimento constantemente, principalmente nos finais de semana. Suas saídas são motivadas para fazer uso de drogas (o próprio adolescente relata), além de fazer ‘corre’ (entrega de drogas)”. Essas são palavras de Sidinei Manthey, coordenador do Lar de Marina e psicólogo, que deu início a uma troca de e-mails no grupo sobre como o abrigo deve se portar diante das situações de evasão do serviço de acolhimento. O coordenador relatou que a internação compulsória já foi solicitada ao judiciário e ao MP. Como resposta sugeriram que o CAP’s fizesse a avaliação para, se necessário, a internação fosse requisitada. Sidinei contou que o jovem em questão pode causar perigo a si próprio e aos demais presentes no Lar, quando sob efeito dos entorpecentes. “O que se pode fazer diante dessas situações? Podemos recusar o reingresso do adolescente?”
A sugestão dada por Fernanda Souza foi a de implementar e amadurecer o apadrinhamento afetivo para os adolescentes, algo que, segundo ela, já está sendo tentado no serviço em Santa Catarina.
Sidinei Manthey afirmou a importância do apadrinhamento afetivo, sendo este um auxílio importante que pode vir a proporcionar um sentimento de pertencimento nos acolhidos. Porém, ele conta que “nesse caso específico, trata-se também do uso de entorpecentes. Ou seja, extrapola as diretrizes e objetivos do abrigo”

A questão levantada por Tathiana Zacharias Miguez é de que “o serviço de acolhimento não é Clínica, nem hospital para isso acredito que vocês devam manifestar no processo solicitando providências quanto ao caso ao juiz da Vara da Infância”. Sendo que o problema com as drogas seja uma questão ligada a saúde, ela acredita que o menor deve ser avaliado e, se preciso, transferido para uma clínica de reabilitação.
Julio Cesar Vieira Guimaraes defendeu que os desafios enfrentados pelos serviços de acolhimento institucional devem ser superados juntamente ao Sistema de Garantia de Direitos e com a rede socioassistencial. Segundo ele, é preciso levar em consideração que os abrigos, em sua essência, são incompletos e graças a isso devem ser atendidos pela comunidade e pela rede, de modo que para o atendimento integral efetivo de todas as crianças é necessária a ajuda de toda a rede socioassistencial existente. Sua sugestão foi que o caso seja discutido pelos principais serviços da rede, devido a altíssima complexidade que apresenta, e só então realizar os devidos encaminhamentos.
Maria Salete F. Caldeira, psicóloga que trabalha em um abrigo para criança e adolescente, passa por problemas parecidos aos citados por Sidinei. A forma que encontrou para lidar com a situação foi a de se respaldar nos relatórios, sempre informando o risco que o comportamento do acolhido pode apresentar aos outros. Ela opta por sugerir a transferência.
“Os adolescentes apresentam novos vínculos sociais, retomam objetivos e projetos de vida e consequentemente, a evasão vai perdendo seu sentido”, conta Desiree Arruda que adotou o programa de apadrinhamento, em Santo André, e que isso a ajudou muito nas questões referentes às evasões.