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#rolounarede: fuga, evasão, saída…


PARA QUEM RECORRER?

O tema “fugas de crianças e jovens dos abrigos” rendeu mensagens entre os integrantes do nas últimas semanas.

O assunto foi lançado pela Rossane que perguntou sobre como os demais participantes do grupo agem quando crianças e adolescentes acolhidos fogem do abrigo.

Ela relatou que a fuga já ocorrera duas vezes. Na primeira vez a menina fugiu pelo portão da frente em um momento de descuido da cuidadora de plantão.  Na segunda, as crianças foram para a escola e não retornaram ao abrigo. Rossane disse que em ambos os casos o boletim de ocorrência foi feito, mas a próprio instituição também procurou pelos  abrigados em casas de parentes e amigos .

Para finalizar, ela considerou que, pelo fato de o abrigo ser em um pequeno município, eles podem procurar nas casas de parentes e amigos, mas perguntou aos demais integrantes do grupo se é dever dos funcionários do abrigo fazer o “papel de polícia” .

Renata expôs o que acontece no abrigo onde trabalha quando essas evasões ocorrem: “Nos abrigos aqui de Porto Alegre isso é muito frequente. Eles evadem o tempo todo e geralmente voltam, só é feito o boletim de ocorrência no dia e não é feita nenhuma procura por parte das instituições. Para nós educadores, é quase que normal porque as evasões são constantes”, contou.

Wesley disse que em Vitória, no Espírito Santo, existe um acordo entre a Vara da Infância, Conselho Tutelar e os serviços de acolhimento. Ficou acordado que o abrigo deverá avisar ao Conselho Tutelar via telefone assim que confirmada a evasão, avisar à Vara da Infância por meio de ofício no mesmo dia ou um dia útil após a fuga (em caso de ter sido constatado no período da noite ou aos finais de semana). Wesley finalizou dizendo que atualmente eles seguem essas normas acordadas entre as instituições envolvidas.

Um procedimento semelhante é o que faz Ana Paula, psicóloga de um serviço de acolhimento em São Paulo – SP: “Aqui, fazemos o boletim de ocorrência, notificamos a Vara da Infância e Juventude. No caso de encontrar o adolescente, fazendo o b.o. de encontro. Avisamos também os familiares e, de vez em quando, o Conselho Tutelar”.

Karin comentou que no serviço de acolhimento onde ela atua, na cidade de São Paulo, as evasões são constantes porque a instituição recebe muitos adolescentes com histórico de envolvimento com drogas e vivências nas ruas e considerou que “algumas vezes eles vão embora justamente pela vivência que já tem nas ruas”.

Ela acrescentou que só realizam o boletim de ocorrência quando percebem que se trata de uma situação de risco. “Recentemente, tivemos uma adolescente de 13 anos que foi residir com traficantes. A informação veio de  outras adolescentes do próprio serviço e da nossa desconfiança por alguns relatos que a mesma vinha trazendo para nós. Mas de uma maneira geral, no caso dos adolescentes eles acabam pulando o portão e não retornam. Realizamos um relatório de saída para comunicar ao Fórum e avisamos a família partindo da premissa de que não temos como forçá-los a permanecer no serviço, pois não somos presídios”, finalizou.

Outra profissional, Carla, compartilhou o que a equipe do abrigo em que ela atua faz quando há casos de evasão: “Comunicamos ao Conselho tutelar e ao comissariado de menores, que é o órgão responsável pela busca das crianças ou adolescentes. Nós ou o próprio Conselho não temos esse poder de busca e apreensão para trazer de volta essas crianças e jovens”, pontuou.

Marluce afirmou que a instituição dela seguiu um caminho semelhante: foi realizado o B.O., enviado um relatório ao Fórum e um aviso à família.

Sobre os principais motivos pelos quais as crianças e jovens optam pela fuga, Renata afirmou que geralmente é por “desentendimento com educadores, por não quererem estar no acolhimento institucional, porque querem liberdade”, pontuou. Em contrapartida, segundo Renata, há muitas crianças que nunca pensaram em evadir, pois gostam de viver no abrigo e ali se sentem acolhidos, mesmo já tendo oportunidades para realizar a fuga.

Em um serviço de acolhimento no Acre, Rosa, afirmou que o procedimento é registrar o Boletim de Ocorrência, além de acionar o serviço de abordagem social.

No entanto, Rosa considerou também ser interessante a equipe pensar e trabalhar em cima dos possíveis motivos pelos quais as crianças e adolescentes se evadem. Para ela, os adolescentes em situação de rua se evadem geralmente por falta de adaptação à rotina e preferem ficar nas ruas. Sobre a evasão de crianças e jovens que voltam para suas próprias casas, Rosa acredita que já é um sinal da possibilidade de se trabalhar o retorno delas para o lar, “cabe à equipe avaliar”, finalizou.

Fernanda sugeriu a leitura de um texto a respeito do assunto:http://nucleoentretempos.com/2015/03/22/criancas-e-adolescentes-que-se-encaminham-o-que-as-fugas-e-evasoes-nos-dizem-sobre-a-rede-de-atendimento/

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